As rugas do velho ficam mais profundas ao acordar de madrugada, olhando pra lua e a noite, tão estrelada! Boa pra turista.
A velha tem sono leve e corre atrás. Arruma um espaço no varandado, longe do marido. Cafanga e cospe no chão. Noite estrelada não é boa coisa no sertão.
O vestido amarelo remendado de algodão volta pra cama, puxa um terço de baixo do travesseiro e reza. Mas no santo reino da telenotícia, nordestino é bicho sem solução. Tem mais é que aprender que essa terra é ruim, é ingrata. Dá toda a felicidade do mundo. Dá todo o amor que quem debandou pras terras de baixo deixa pra trás. E pede, fica mais um pouco! Que amanhã a noite é escura, a nuvem vai cobrir a lua.
E de manhã teu choro vai molhar o chão.
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